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Aventuras de Pin�quio
Enviado por: Webmaster


Como tudo começou...


Sergio Miranda

 


      Era uma vez, um velho carpinteiro, que sem mulher ou filhos, um dia esculpiu um grotesco boneco de madeira, para ter com quem reclamar da inflação, do governo e jogar conversa fora para passar o tempo, enquanto aguardava - com a televisão desligada - o término do Horário Eleitoral Gratuito, para poder assistir à telenovela.

      Ao ver esta situação ridícula, uma fada gozadora resolveu pregar uma peça no velhinho e, enquanto ele dormia, deu vida ao boneco, tendo o cuidado de dar-lhe uma consciência, na forma de um grilo falante. Para cuidar que ele não mentisse dotou-o de uma faculdade inusitada: toda a vez que ele mentia, seu nariz  crescia.

      Quando o velhinho acordou de manhã, quase desfaleceu de tanta surpresa: o menino-boneco, já havia levantado antes e comido tudo o que havia disponível para o café da manhã, pois era muito egoísta e só pensava em si. Apesar de ficar com fome, "tio" Gepetto ficou muito feliz, pois a partir daquele dia teria um garotinho só pra ele.



      Mas a felicidade durou pouco: Pinocchio, nome que o velhinho deu ao menino boneco, logo começou a mostrar seu caráter dúbio. Unindo-se aos Sete Anões do Orçamento, arrasou os cofres da Branca de Neve. Em parceria com a madrasta de Cinderela, roubou os cavalos da carruagem da menina e, após à meia-noite, quando eles voltaram a ser ratos, colocou-os a seu serviço, na Previdência Social.

      Mas a maldade de Pinocchio não parou por aí. Em um ato maquiavélico, acabou com a inocência de Peter Pan, provando pra ele que Papai NoeI não existe e convenceu a fada Sininho a desistir do pó de pirlimpimpim para comercializar um outro tipo de pó, bem mais rentável, do qual ele era o principal distribuidor. Com isso, Wendy e seus irmãos passaram a ser meninos perdidos, vivendo ensandecidamente na Terra do Nunca, toda vez que utilizavam o pózinho mágico.



      Em sociedade com Capitão Gancho, montou uma gravadora para produção de cds e dvds piratas, numa tremenda crocodilagem com os artistas. Com Dr.Jeckill, montou um laboratório, onde eram produzidos pílulas anticoncepcionais à base de farinha de trigo e remédios conta o câncer feitos de açúcar.

      Sem importar-se com os grilos da consciência, Pinocchio foi ficando cada vez mais rico e bem-relacionado nas altas esferas, indo parar na Casa Branca, onde sua principal função era ajudar o presidente a mentir sobre os iraquianos..

      Um dia, ao visitar o velho "tio" Geppeto, Pinocchio resolveu acabar com a inflação que imperava nas madeireiras e para tal privatizou a carpintaria do velhinho, deixando-o desempregado. "Mas, tudo bem - explicava ele ao velhinho -  primeiro a gente vence a inflação, depois pensa em gerar empregos".

      Para Geppeto, foi a "gota d'água" e ele resolveu tomar uma atitude com relação ao menino-boneco. Pensou então:
 
      "O que fazer com ele? É um "cara-de-pau", mente pra burro, não liga a mínima pros grilos de sua consciência, não gosta de trabalhar e adora dinheiro... Vou lançá-lo candidato!!!"

      E  assim foi feito:  Pinocchio foi eleito com uma quantidade impressionante de votos, graças à profundidade de suas promessas de campanha. O problema de seu nariz foi resolvido antes do inicio da campanha, graças à cirurgia plástica realizada pelo Dr. Frankenstein, que substituiu o crescimento do nariz por uma considerável diminuição de seu caráter, à medida que mentisse.

      Após o sucesso eleitoral, Pinocchio - homem público - casou-se com uma mulher idem e teve muitos, muitos filhos, que hoje estão colocados em diversos cargos importantes pelo mundo inteiro. Iludindo, fazendo promessas vãs, Iocupletando-se com o poder, gerando fome, miséria, desemprego, desespero...



      Cuidado, leitor, pois a dinastia Pinocchio está à sua volta, tentando atraí-lo para seus sórdidos planos. Seu nariz não cresce mais quando mente, mas eles continuam com a mesma cara de pau de seu ancestral e não dando a mínima  atenção ao que lhes dita a consciência. Na história atual, você não corre o risco de ser engolido por uma baleia. Pior: corre o risco de ser devorado pelos tubarões globalizadores.

      A  aventura de Pinocchio e seus descendentes não termina aqui; eles estarão, novamente, em cada ano eleitoral, rondando você, em busca do voto da ignorância e da desinformação.

        Olho vivo!!!

 
Sergio Miranda é Designer, Professor de Computação Gráfica e Diretor do Jornal Carranca

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