Psicóloga alerta para a falta de limite dos filhos e ressalta a importância da hierarquia no lar:
Você que tem filhos sabe como é árdua a tarefa de educar. Quando pequenos, eles fazem bico, querem doces e dão escândalo na fila do supermercado. Já mais crescidos, exigem dinheiro para comprar coisas, pedem o videogame de última geração e substituem os biquinhos por pavorosos palavrões. E lá vem a adolescência e com ela o anseio pela liberdade, é hora de se preparar para ouvir o famoso "você não manda em mim". Filhos, filhos, quanta dor de cabeça. Como educá-los?
Foi pensando no desespero dos pais que a psicóloga Mariângela Mantovani escreveu o livro "Quando é necessário dizer não", pela editora Paulinas. A autora, que há mais de dez anos ministra palestras para pais e professores, diz que está faltando a imposição de limites nas relações familiares.
"Alguns pais dizem ‘sim' para tudo, e na hora de dizer ‘não' bate a culpa", explica a psicóloga. "A culpa ocorre porque os pais sentem que estão em débito com suas crias, já que passam a maior parte do tempo fora de casa".
Mariângela chama de ‘filhiarcado' o domínio dos filhos sobre aos pais. "Houve uma época em que tínhamos o patriarcado como estrutura da sociedade, e a mãe e os filhos tinham que obedecer. Depois a mulher tomou força e surgiu o matriarcado. Hoje quem manda nas famílias são os filhos", conta.
Outro fator que requer atenção dos pais é que eles estão confundindo esperteza com maturidade. "As crianças dominam as novas tecnologias, e por isso adquirem um certo status na casa, mas isso não significa que elas são maduras e podem fazer o que bem entenderem".
Resista às artimanhas deles
Segundo Mariângela, após receber um sonoro ‘não', o filho passará por um longo processo de conflito até o amadurecimento. Ele vai ignorar você, virar a cara, ficar com raiva, bater o pé, fazer birra e até ameaçar. De todas as artimanhas utilizadas, a mais poderosa parece ser a das crianças, quando fazem "cara de fofinha".
"Os pais não devem cair nessas armadilhas, caso contrário, o filho aprenderá que tudo é possível desde que utilize algumas barganhas sentimentais. Não é não e pronto".
E não se assuste se o clima ficar mais pesado durante a puberdade. A partir dos 11 anos, o ser humano passa pelo processo de auto-afirmação e formação de identidade. "Nesta fase, o jovem precisa se confrontar com os pais, certamente será mais complicado ele aceitar os nãos".
Educação consciente
Para Mariângela, os pais devem explicar os motivos do "não" e dar algum espaço para o filho argumentar. "Mas tudo na hora certa. No meio de uma confusão, por exemplo, é necessário ser taxativo e deixar para explicar os motivos depois."
O livro da psicóloga leva o leitor a refletir que a educação dos filhos vai além do convívio familiar. "A não-imposição de limites é um descompromisso social", diz o livro.
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