Nas dependências da Faculdade Estácio de Sá, no Rio Comprido, funcionários do INEP retiraram de sala, 15 minutos antes do horário de início da prova, no dia 5 de dezembro, todos os alunos que haviam aniversariado entre a data anteriormente marcada para a prova (transferida em conseqüência da fraude ocorrida) e a data da prova remarcada, completando 18 anos.
Por que? Porque eles já haviam completado 18 anos e suas carteiras de identidade estavam "vencidas", eram inválidas, uma vez que foram tiradas quando ainda menores, antes da primeira fraude (pois esta foi a segunda...).
Talvez para "não ser acusado de injusto", o Sr. Francisco, autor do impedimento, mandou que estes alunos ligassem para seus responsáveis e pedissem que levassem outro documento "que tivesse validade" (pois parece que, após completar 18 anos, o jovem já não é mais a mesma pessoa, passa a ter outra filiação, outra nacionalidade e outro nome, por isso a identidade tirada quando menor "perde a validade"). É claro que com tal atitude, tomada às 12h:45min, ele não esperava que os pais conseguissem chegar com o outro documento antes das 13h e na grande maioria, devido à distância entre o domicílio e o local da prova, os documentos "válidos" requeridos chegaram entre 10 e 15 minutos após ele mandar fechar os portões.
Sendo assim, embora os alunos estivessem dentro do recinto da prova, muitos desde 11h30min, ele não aceitou os novos documentos trazidos "por já haver encerrado o horário de entrada".
Os responsáveis chamaram então a polícia, que chegou para garantir, não o direito de cidadania dos jovens, mas para garantir a segurança do infrator que impediu o acesso ao futuro a dezenas de jovens. Quase ao mesmo tempo chegou uma equipe de reportagem do JB (que, lamentavelmente, depois, não publicou uma linha sequer sobre o ocorrido - por que $erá?...) que informou aos presentes que tal fato já ocorria também em outros locais (como na PUC, onde os alunos impedidos no sábado fizeram a prova do domingo, através de um mandado judicial - gente fina é outra coisa...) e por isso o jornal estava enviando equipes para os vários locais de prova, para cobrirem as ocorrências.
A única coisa positiva para os responsáveis, com a chegada da polícia foi que o coronel que veio na viatura obrigou o Sr. Francisco .a dar uma satisfação aos mesmos, coisa que estava sendo negada por ele anteriormente.
Das suas explicações, destacamos:
1 - Ele informou que a decisão de não aceitar as identidades dos alunos que completaram a maioridade, considerando-as inválidas foi tomada pelo Inep uma semana antes da prova. Porém nenhum edital foi publicado comunicando a decisão, nem foi feito nenhum comunicado através da imprensa sobre esta decisão;
2 - Outro fato que chama a atenção é o seguinte: questionado se esta decisão era para todos os estados ele responde: "Não, Só aqui no Rio de Janeiro". Como, sendo o documento de identidade um documento oficial e válido em todo o território nacional, só as identidades dos cariocas serem consideradas inválidas???
3 - Quando explica quais os documentos aceitos ele cita: carteira de identidade (só as que eles considerarem válidas...), carteira da OAB (e cita que tinham várias pessoas com carteira da OAB fazendo a prova, o que demonstra porque a justiça não funciona no país, pois os advogados ao invés de defenderem a população, ficam fazendo provas pra Comlurb e para o Enem...);
4 - Pra encerrar o assunto, antes de dar as costas a todos, ele afirma: ligamos para a Fundação Cesgranrio e todos os questionamentos que os senhores fizeram passamos pra eles e o pessoal foi definitivo: "NINGUÉM FAZ PROVA!"
E tudo ficou assim: dentro da Estácio, atrás dos portões, trancados, os alunos que foram impedidos de fazer prova pela grave falta de terem completado dezoito anos entre uma fraude e outra, lá fora, seus responsáveis indignados com a irresponsabilidade oficial com o futuro de seus filhos, que sem esta prova não poderão ingressar em uma universidade pública.
Desolados e inconformados, os responsáveis, juntos, dirigiram-se à Delegacia da Cidade Nova, onde registraram queixa contra os responsáveis (será que podem ser chamados assim?) pelo prejuízo à vida escolar de seus filhos. O delegado registrou a ocorrência, embora informasse (como a polícia militar) que nada poderia fazer, pois o INEP é federal (polícia estadual não pode atuar contra criminoso federal - pode isso???).
Agora, os prejudicados estão se reunindo a fim de mover uma ação para garantir a seus filhos o direito de estudarem, para não terem que depender do Bolsa-Família para sustentarem-se no futuro.
Em tempo:
Houve um absurdo ainda mais gritante: o responsável de uma aluna teve que brigar feio para garantir o direito de sua filha: os funcionários do INEP não queriam aceitar a Carteira Profissional da menina porque foi preenchida à mão - como a minha - pelo Ministério do Trabalho. Alegavam eles que a carteira profissional, agora é emitida por computador, portanto as carteiras emitidas manualmente não são válidas.
Das duas uma: ou o Ministério do Trabalho está funcionado ilegalmente quando emite uma carteira manualmente para o trabalhador, ou o INEP selecionou todos os candidatos reprovados nos exames do Mobral para preencher seu quadro de funcionários...
Com a palavra o Ministério do Trabalho e a direção do Mobral, digo, do INEP.
Assistir o vídeo do flagrante no local